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ENTREVISTA À REVISTA LEADER

José Nivaldo Gomes Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), ocupou vários cargos na administração federal, entre eles o de Secretário Nacional de Recursos Logísticos, diretor de administração do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), do Ministério da Fazenda. Foi também secretário Adjunto de Administração do Governo do Distrito Federal e Diretor de Orçamentos da Prefeitura de São Paulo. É hoje Diretor de Operações do Grupo Nobel de Livrarias. Nesta entrevista, ele dá sugestões aos jovens que estão se preparando para se tornarem os profissionais do futuro e avalia a qualidade do ensino tradicional no país.

 

Equipe Editorial: Quem é hoje o profissional do futuro?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Os profissionais do futuro serão aqueles que conseguirem uma boa formação acadêmica, pós-graduação e doutorado. Mas tem que ter liderança, uma certa característica psicológica que o torne uma pessoa capaz de organizar grupos além da facilidade com tecnologia, apesar disso não ser o bastante. O profissional do futuro vai ocupar o comando com capacidade de organizar grupos. Naturalmente que a escolaridade é importante, mas o aspecto psicológico é ainda mais.

 

Equipe Editorial: Então, na verdade, o profissional do futuro tem a característica da liderança também?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Na verdade a liderança é um aspecto importante que traduz o que poderíamos chamar de empreendedorismo. O empreendedor é um líder, é aquele que consegue ver além, ver distante, não basta ter todos os títulos possíveis, precisa ter experiência. Se você não for capaz de ver o novo, de nada vão adiantar as experiências. A primeira pessoa que inventou um supermercado substituindo o comércio de balcão há 50 anos fez uma renovação tecnológica no varejo sem introduzir novidades tecnológicas propriamente ditas. Aquele foi um líder que trouxe o novo e beneficiou toda a comunidade. Qual o significado do supermercado? Uma eficiência maior entre a produção e o consumo, barateando cursos. Todos ganharam. Há oportunidades em todos os locais para aqueles que conseguem chegar ao novo. Parece, a quem olha de fora, que olhando para trás foi fácil. Mas não é. Os verdadeiros empreendedores têm uma psicologia muito definida. Correm riscos, são arrojados, são capazes de ir contra a opinião pública. Tem que haver ética. Quem não tem, não prospera. O fator liderança pressupõe todo um background empreendedor.

 

Equipe Editorial: O senhor destacou a questão da educação em sua palestra. Hoje analisamos o currículo das universidades e percebemos que a didática e o próprio conteúdo não formam um profissional do futuro. O que é preciso fazer para mudar este cenário?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: As universidades no Brasil deixaram de ser uma solução para ser um problema, tanto para os cursos técnicos como para cursos de administração, economia e da área humana. A universidade hoje não é mais um órgão de formação de espírito e, sim, um órgão de militância política. É um órgão reprodutor de militâncias. Emprega-se muito tempo para doutrinar as pessoas. A pedagogia foi deixada de lado, pois a moda agora é fazer quadros de militância. Isso é um enorme prejuízo para o estudante, que além de perder seu tempo, sai de seu foco no apogeu da juventude, no qual, por estar cheio de energia, é o certo para ele aprender. Dessa forma, ele é desviado desse percurso e muitas vezes não consegue mais voltar. A primeira dica que dou para os jovens é para que acordem diante dos doutrinadores e os denuncie. O jovem hoje precisa se politizar, no sentido exato da expressão. Quando a política passou a ser realmente importante? Quando o indivíduo começou a tratar com o Estado pela sua liberdade individual? Estamos voltando a esse plano de partida. O empreendedorismopressupõe uma atitude política diante da existência. A defesa do livre mercado é a defesa do maior valor da civilização ocidental. A universidade hoje, além de negar essa tradição e esses valores, faz o oposto, virou órgão de doutrina de idéias contrárias à livre iniciativa.

 

Equipe Editorial: O que as empresas modernas estão adotando na capacitação de lideranças de seus profissionais?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Atualmente, administrar empresas, para uma pessoa de visão, é, sobretudo, administrar um processo contínuo de formação e treinamento de pessoas. As empresas são as pessoas. Há as que comandam e as que são lideradas. As que comandam têm uma exigência especial: serem autodidatas. Nem as escolas, nem os cursos de pós-graduação são a solução, pois certos conteúdos apenas a vida traz. Para os técnicos, de nível médio e nível básico, a formação escolar tradicional é o bastante. Quando falta conhecimento, às vezes a empresa supre. Os empreendedores não. Eles fazem o próprio currículo, devem ler os seus próprios livros, descobrir que cada um tem uma vocação, seguindo a intuição, fazendo da experiência de vida o garimpo para buscar o novo. Isso tudo de maneira que o processo de aprendizagem seja contínuo. Para os líderes, o aprendizado é solitário. Para a massa trabalhadora, é algo eminente ao líder. Então, o líder é o grande formador. É o grande pedagogo.

 

Equipe Editorial: Como o líder pode capacitar sua equipe?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Primeiramente, dando o exemplo. Depois disso, criando uma estrutura que funcione permanentemente, transformando a informação em conhecimento para esse jovem. Isso é uma filosofia de vida e de trabalho. Empresas que sobrevivem só o fazem se tiver esse processo de forma continuada.

 

Equipe Editorial: Como ser uma empresa na qual as pessoas construam juntas, em que todos tenham a presença do espírito empreendedor?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Na verdade, não é necessário que todo o conjunto seja imbuído deempreendedorismo. É preciso que alguns sejam. Se analisarmos, por exemplo, quaisquer das escolas psicológicas, veremos que existem verdadeiros empreendedores: são os criadores. Esses homens são incapazes de cumprir regras. Existem pessoas que são cumpridoras de regras, mas não fazem o novo. Um complementa o outro. Tem gente que nasce para ser contador, outros trabalham em call center e são muito felizes. O bonito da variedade humana é esse caleidoscópio. Você precisa das pessoas que fazem o novo e daquelas que organizam a casa, fazema organização humana e o controle. O empreendedor, às vezes, perde o senso de perigo, mas o que organiza tem o senso.

 

Equipe Editorial: Como o senhor seleciona na sua equipe os profissionais. Como identifica o profissional do futuro?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Na verdade, temos uma empresa que faz testes psicológicos, usando a metodologia indiana. O fundamental na nossa seleção é a entrevista. Fazemos testes psicológicos e exames de currículos. Para cada núcleo, existe um perfil específico adequado ao cargo. Temos gráficos por funções. Por exemplo, para um vendedor eu preciso de uma pessoa com bom relacionamento. Não preciso que ele seja empreendedor, mas tem que escutar bem o cliente, ter paciência, entre outras características. Não adianta colocar o empreendedor fazendo trabalho de caixa, porque vai ser infeliz, não vai a lugar algum.

 

Equipe Editorial: Como o senhor acha que as empresas vão buscar o profissional do futuro?

José Nivaldo Gomes Cordeiro: Tem o profissional que vai ser o líder e tem o profissional técnico, que em geral são jovens em processo de aprendizado operacional. O mais difícil é a busca do gerente, daquele jovem que normalmente está terminando o curso superior, que fala línguas, com uma veia empreendedora. Esse garoto será o recrutado para passar pelo treinamento, para no futuro ocupar cargos de maior responsabilidade. Existem as pessoas de nível operacional, que em geral aprendem na função. Para transformar uma pessoa que nunca pisou numa livraria em um bom vendedor de livros leva, no mínimo, um ano, se tiver os requisitos. O processo de trabalho é intenso e repetitivo. Precisa ter talento e vocação. Muitos começam como aprendiz, mas jamais chegam a mestre. Alguns, com pouco tempo de aprendiz, se tornam mestres, devido à vocação, que é essencial.

 

 

Entrevista realizada pela equipe editorial da Enfato Comunicação Empresarial com exclusividade para aRevista Leader Digital.

Jornalistas responsáveis: Raquel Boechat e Mariana Turkenicz

Apoio de redação: Juliana Farias Pacheco

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