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Acabei de ler a Introdução espetacular do editor Sonu Shamdasani ao LIVRO VERMELHO, de Jung. Muita coisa que estava obscura em mim clareou. É claro que Jung fez das próprias experiências esquizofrênicas o material sobre o qual tentou fazer ciência. Foi bem sucedido. É claro também que Jung aqui se revelou por inteiro como discípulo de Goethe e do esteticismo. Sua visão dual da divindade foi explicitada. Jung tomou como prova da “função transcendente” os sonhos premonitórios de 1913 sobre a Primeira Guerra. Se julgou um profeta. Mas profecias se revelam antecipadamente, dão a mensagem. A mensagem aqui só ficou clara ex post facto. Não as considero profecias. Admito, todavia, que Jung estava sintonizado com as correntes subterrâneas no mergulho niilista do Ocidente. Jung é o homem faustico. Jung teve a pretensão de falar com os mortos e com o próprio Deus. Realizou em si o neoplatonismo renascentista. Quis fundar nova religião. Apesar de ter mergulhando no estudo das religiões comparadas, Jung tinha em mente mesmo o Fausto de Goethe e o Zaratustra de Nietzsche. Jung foi muito coerente em se dizer fora do mito cristão. Em última análise, cultivava o mal, como fizeram Goethe e Nietzsche. Essa entrega ao mal como forma de se chegar ao bem é ideia muito antiga, data dos primeiros heréticos. Com Jung essa gente quis ser cientista. A ciência de Jung é a sistematização de experiências de louco, transformadas em linguagem erudita. Por isso que seus métodos não podem curar. O apogeu do delírio religioso de Jung se deu quando se recusou a traduzir o Canto Noturno, de Nietzsche. Disse que era a voz de Deus. Em todo o Zaratustra quem fala é Mefistófeles, o mesmo demônio do norte que está em Goethe. Por isso Jung viu Wotan nos nazistas. A leitura do LIVRO VERMELHO mostra que, no fundo, Jung se sentia um fundador de uma nova religião. Ele queria confirmar o fim do cristianismo. Penso que se os nazistas tivessem ganhado a guerra a psicologia analítica poderia se tornar uma nova religião mundial. Penso também que a destruição das guerras foi tamanha que até mesmo um satanista convicto como Jung vacilou nas suas convicções sobre o mal.Pensar a língua alemã como sucedânea do hebraico sagrado é delírios grandioso. Jung tratou Nietzsche como se fosse um Isaías renascido

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