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PREGAÇÃO DO MAL

25/11/2005

Tive o desprazer de ler o escabroso livro do Dan Brown, “Código Da Vinci”. Não queria lê-lo, mas circunstâncias colocaram a tarefa para mim como inevitável. De mais a mais, trata-se do maior fenômeno de vendas dos últimos tempos no mercado livreiro internacional e nacional e cabia-me saber o que levava as multidões a comprá-lo.

A técnica narrativa do autor é requintada, uma história policial com todos os ingredientes para prender a atenção dos leitores desavisados, em busca de simples lazer, sem dar-se conta do conteúdo maior da mensagem. Parece um thriller de cinema muito bem escrito e não por acaso já está em processo de produção cinematográfica.

É uma peça que atinge duramente a Igreja Católica, mais diretamente a Opus Dei, mas também as demais igrejas de denominação cristã e o judaísmo e, assim, toda a tradição ocidental. A aparentemente simples novela tem a pretensão de ser um novo evangelho demoníaco, ressurgindo com todos os seus símbolos: o pentagrama é enaltecido como símbolo máximo da divindade arcaica feminina; o andrógino como a representação da indiferenciação entre os sexos, uma clara apologia à homossexualidade, sabidamente condenada pela tradição judaico-cristã como anti-natural e pecaminosa; o sexo livre e mesmo incestuoso como um instrumento para alcançar a iluminação.

O argumento do livro é que teria havido uma conspiração milenar posta em marcha pela Igreja, desde o Imperador Constantino, para esconder que a única discípula autorizada por Cristo a passar sua mensagem seria Maria Madalena, que também teria sido sua esposa e teria lhe dado descendência. E que Jesus de forma alguma era considerado divino pela Igreja primitiva. O absurdo é que Jesus não é divino, mas a sua descendência, sim, o suposto sangue real que teria o poder mágico e a legitimidade para representar a linhagem divina residindo entre os homens.

Cabe rebater assinalando que a beleza do cristianismo consiste justamente em declarar de forma solene a dignidade de cada indivíduo diante de Deus, não fazendo acepção das pessoas. Não há sangue real, nem linhagem, nem nada que possa hierarquizar os homens. Mas vá tentar dizer isso para os demonistas militantes.

E dizer que a Igreja Católica despreza o feminino é ignorar o papel que Maria, a Mãe de Deus, tem dentro de sua doutrina. O feminino é reverenciado e colocado no patamar adequado, digno. A desgraça do feminino dos tempos de hoje é justamente apartar-se do exemplo que a tradição de Maria dá para todas as mulheres.

O livro alia a maestria narrativa com enfeites pseudo-eruditos que enfeitiçam os desavisados. Pode-se perceber a má-fé do livro a cada palavra. É o Mal ativo, em pregação de si mesmo. O sucesso do livro dá o grau de indigência espiritual que tomou conta de nosso tempo.

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