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Neste ano serão completados cinquenta anos do movimento cívico-militar que depôs João Goulart. José Serra, como um dos derrotados, à época, e, depois, vitorioso após a abertura política, publicou artigo notavelmente equivocado sobre a efeméride (1964 – As ilusões do autoritarismo). Parece ignorar as causas remotas e recentes do que chamou de Golpe.

A primeira pergunta que precisa ser respondida é: que forças foram contidas pelos militares em 1964? Desde a Intentona Comunista de 1935 ficou claro que brasileiros acumpliciados com os imperialistas de Moscou queriam implantar uma ditadura comunista por aqui, nos moldes que se via pelo mundo. Por essa época ocorreu a revolução comunista chinesa, que se prolonga até hoje. O Brasil poderia ter seguido o mesmo destino se os subversivos fossem bem sucedidos.

A estratégia soviética era fazer o confronto com o Ocidente. Depois da II Guerra a coisa se transformou na Guerra Fria. Com a revolução cubana, o quadro se agravou nas Américas. Não ao acaso a reação em muitos países foi o golpe militar preventivo.

Em 1964 tivemos um golpe preventivo contra as forças que queriam implantar o marxismo-leninismo entre nós. O próprio José Serra, enquanto presidente da UNE, foi peão no tabuleiro dessa tentativa de golpe. O que os militares conseguiram foi adiar por duas décadas o movimento agora vitorioso no Brasil, de coletivização crescente e de monopólio do poder por forças esquerdistas.

A ladainha lacrimosa e sentimentalista das esquerdas em torno da questão dos direitos humanos não pode esconder o fato cristalino de que se tratou de uma reação, com grande apoio popular e da sociedade civil, contra a esquerdização do governo brasileiro. Interessante é que as esquerdas aprenderam no processo. Como, depois da queda do Muro de Berlim, a marca Partido Comunista desgastou-se, tivemos no Brasil o surgimento de partidos sucedâneos, que, em maior ou menor grau, endossam e põem em prática o programa do antigo PCB. O principal desses herdeiros é o PT, partido que é uma grande frente, unindo intelectuais militantes e sindicalistas.

Por que o PT foi aceito pelos brasileiros, enquanto o PCB foi escorraçado? Essa é a pergunta chave a ser respondida.  Não obstante endossar o programa comunista do Partidão, o PT foi além, ao fundar o Foro de São Paulo. A proposta não mais é alinhar, ou submeter, o país a alguma potência estrangeira, mas, pelo contrário, é transformar o Brasil no centro de comando político sobre a América Latina. Brasília seria a capital desse novo ordenamento de forças.

Ao assumir essa ideia, o PT eliminou as resistências que ainda havia nas Forças Armadas contra o esquerdismo. As Forças Armadas nunca repudiaram o esquerdismo enquanto tal, elas que foram moldadas nas teses modernistas do Positivismo e acalentaram sempre o sonho do Brasil potência. Para elas, o Estado, e não o povo, é o protagonista do processo histórico. Tanto é que os governos militares, especialmente o de Ernesto Geisel, foram estatistas em alto grau. E também apoiram intervenções cubanas na África. A partir de 1974, o Itamaraty foi caminhando para a esquerda, de maneira que não cabe distinguir a diplomacia hoje – antiamericana e mesmo anticapitalista – daquela levada a efeito por Azeredo da Silveira.

Essa é a novidade histórica que deu legitimidade para que o PT chegasse ao poder e lá permanecesse. José Serra, na sua miopia e na ânsia de fazer propaganda contra o regime militar, não consegue ver os fatos óbvios.

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3 Comments

  1. Robson La Luna Di Cola

    Por que o PT surgiu e cresceu? Fácil: pergunte às nossas elites. Por que a família de Lula teve que sair de sua cidade, para vir morar no ABC? Resposta: miséria! Por que o sindicalismo, inclusive na sua versão “selvagem” prosperou? Resposta: pergunte aos empresários que pouca ou nenhuma preocupação tiveram com seus funcionários, suas dificuldades e segurança. Em TODAS as fábricas onde trabalhei, havia pelo menos um caso RECENTE de morte de funcionários por questão de segurança. O pessoal só se preocupa com o fluxo de caixa. A ganância gerou o PT – partido que desprezo – agora, aguentem!

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  2. Marcos Antônio Vasconcelos

    Sr, Nivaldo, me desculpe o atrevimento mas permita-me sugerir: a palavra “golpe” está muito contaminada de sentido pejorativo, não seria melhor usar um sinônimo menos negativo. Só de usar a palavra “golpe” já sugere algo algo ilegal, incorreto, indesejado e como o senhor já disse a população estava a favor e exigiram o que os militares fizeram.

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  3. Alex Barreto Cypriano

    O que mais espanta é ver como o governo federal usa dos orçamentos militares (marinha e força aérea, especialmente) para gastos bilionários ao mesmo tempo que sucateia e desmoraliza as forças armadas. Golpe magistral da buro-plutocracia revolucionária: prometem “aparelhar” as ffaa e o fazem! Temo pelo futuro.

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