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Alguém poderia me ter perguntado, ao ler meu artigo Os três eixos da revolução brasileira: e a economia, estúpido? Como se faz revolução sem mexer nas bases econômicas? Eu responderia como faria o meu amigo Martim Vasques da Cunha: não é a economia, mas a literatura que é relevante, estúpido! O arranjo econômico se faz por gravidade ou inércia da revolução anteriormente analisada. É claro que os revolucionários que tomaram o poder no Brasil mexeram profundamente no sistema econômico e essa será talvez a principal causa da grave crise que está em curso.

Há uma tendência economicista para fazer uma falsa classificação de uma sociedade, que é só considerar comunistas aqueles países onde a propriedade foi estatizada (historicamente isso nunca ocorreu em 100%, sempre ficou um pedaço na “livre iniciativa” incentivada pelos membros do Partido Comunista). Nem na China se vê isso, mas é bom que se diga que não há nem sociedade aberta e nem capitalismo estrito senso por lá, apenas uma forma de mercantilismo controlado pelo Estado. A tentativa do movimento comunista de estatizar tudo foi abandonada há muito tempo exatamente por causa da ausência do cálculo econômico e da má gerência típica dos coletivos. O que se fez foi elevar dramaticamente os impostos, impor um processo artificial de oligopolização e regulamentar tudo, de modo que qualquer atividade econômica está sujeita à mão esmagadora do Estado.

O efeito nefasto da regulação excessiva é visto facilmente naquelas atividades que passaram a depender de licenças do meio ambiente ou da Anvisa. Tudo ficou muito difícil e caro, gerando barreiras artificiais para a entrada de novos concorrentes no mercado. Isso está na raiz da escassez de água e de energia que ora vivemos.

Quando Fernando Henrique assumiu a Presidência da República, a carga tributária girava em torno de 25% do PIB e hoje está na casa dos 38%, mais o déficit. Os partidos socialistas controlam a economia por meio de seu controle sobre os grandes grupos econômicos, de um lado, e pela destruição acelerada da pequena burguesia, do outro. É facilmente verificável o que temos hoje: todos os setores econômicos foram oligopolizados e os pequenos comércios e indústrias foram destruídos, seja pela tributação, seja pela regulamentação.

Lula assumiu e botou o pé no acelerador da oligopolização ao instituir os chamados “campeões nacionais”, setores financeiramente apoiados pelo BNDES, com recursos remunerados bem abaixo do mercado. Esses falsos “campeões” saíram comprando os concorrentes e verticalizando. O mercado de carnes de boi, porco e frango mostra isso à sobeja, por se tratar de um fenômeno recente. A consequência dessa verticalização é que o preço ao produtor foi deprimido e o preço ao consumidor, majorado. Os lucros desses tais “campeões” não passam de um derivativo da outorga estatal e, por ser assim, estão sob o controle dos socialistas governantes. Vimos o que houve no mensalão e, agora, no petrolão. Os agentes políticos do PT colocaram a grande burguesia de joelhos, arrancando-lhe verbas bilionárias. Por pouco, não fizeram um golpe de Estado “branco”, comprando o parlamento. Alguém denunciou e aí a coisa veio a público, a tempo de se dar um basta. É incorreto achar que a grande burguesia tem poder porque tem dinheiro. Os agentes políticos é que têm o poder e, por isso, se apropriam de dinheiro achacado dos empresários escravizados e das prebendas que ocupam na burocracia estatal. Essa é a dura realidade que vemos hoje.

Os esquerdistas têm ainda um propósito político prático com o patrocínio da oligopolização: a destruição da pequena burguesia que, em toda parte, é o esteio das ideias econômicas liberais. Os pequenos burgueses não dependem do Estado, desconfiam do Estado e sabem que o Estado lhes rouba. A pequena burguesia foi substituída pelo grande número de funcionários públicos, a nova classe emergente com os altos salários patrocinados pelo PT. Vimos as remunerações nas estatais, como a Petrobras, em valores absurdos. Um gerente médio lá ganha mais do que um presidente de uma média empresa. Todas as chamadas carreiras de Estado estão regiamente remuneradas. Subir na vida no Brasil é ser aprovado em concurso público.

Eleitoralmente foi um desastre para as ideia liberais, pois o próprio processo de seleção no serviço público já é um filtro ideológico poderoso, bastando se ler os editais de concursos. Quem não está alinhado com o mainstream socialista simplesmente não consegue ser admito em concurso, em qualquer área. Para ser um camarada dos agentes políticos é preciso rezar pela mesma cartilha de crenças deles.

Então podemos dizer que a revolução, nos três eixos apontados, logrou transformar também a economia no rumo do socialismo. A crise atual deriva disso, pois a super tributação impede a formação de poupança, a regulação impede a livre iniciativa e quem não entra nos esquemas de propinas dos agentes públicos não consegue sobreviver economicamente. Ou se é da nomenklatura ou se é da ralé que recebe bolsas. Sem as pequenas empresas empregos não podem ser gerados.

O ministro Joaquim Levy não está tentando reverter o quadro apavorante aqui descrito, mas apenas lhe dar consistência para uma sobrevida. Mas não conseguirá. Será preciso enfrentar os socialistas e vencê-los, para então desmontar o Estado mamute. Ou esperar que a crise complete seu trabalho destruidor. Vai ser muito difícil viver nos próximos anos no Brasil.

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One Comment

  1. PAULO BRANDAO

    UMA ANÁLISE PERFEITA, MAS AO MESMO TEMPO, E INFELIZMENTE, POUCO COMPREENDIDA, ESPECIALMENTE PELOS EMPRESÁRIOS, BANQUEIROS, POLÍTICOS DE BEM E TRABALHADORES, EM GERAL.

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