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Acabei de ler o livro Boca do Inferno, de Otto Lara Resende. Maravilhoso. Otto escreve manso sobre temas duros, sem piedade alguma. Esses contos do Boca do Inferno são certamente obra prima, do nível de A Testemunha Silenciosa.

Otto não vê redenção na nossa gente. Ele olhou bem dentro das nossas entranhas e desnudou o mal do cotidiano. Mas Otto se esqueceu do outro lado. Sim, a vida é amarga e dura e as pessoas podem ser más. Todavia, há também candura e bondade. O brasileiro não é só maldade e crueldade. Falta um talento do tamanho do Otto Lara Resende para falar do outro lado. O Bem é também palpável e Deus age protegendo. O mal está cercado.

O universo dos meninos perversos do Otto Lara Resende nos contos do Boca do Inferno de modo algum é infantil, apesar dos personagens. Otto analisa a condição humana desde o mundo das crianças, mas fabula mesmo sobre o homem em geral, sobre o mal. Crimes e pecados sem fim. Não há sentido algum na existência, para o autor. Ocorre que há um sentido na existência e os homens não são meras mônadas. Há o milagre do Bem que nega o mal e triunfa. Se o mal tudo dominasse a vida humana teria sido exterminada. Em toda parte resistem os “restos de Israel”, impedindo a vitória do Maligno. Não tenho visão açucarada da existência, eu que padeci de uma larga variedade de males. Mas estou aqui vivo, conversando com um leitor desconhecido. Apesar de tudo.

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