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A obsessão da literatura com o tema do mal é marcante. Desde que Goethe escreveu o Fausto a coisa ficou assim. O mal elevado a motor da história. Otto Lara Resende e Guimarães Rosa foram os autores que levaram a presença do mal à máxima expressão artística entre nós. Ambos celebraram, em nome dos brasileiros, a aliança mefistofélica. Ou fizeram o seu relato literário. Esses autores máximos tiveram o papel de espelhar a nossa cara. Demos as costa a Deus e celebramos o maligno. O Estado tornou-se Mefistófeles. Bem sabemos como acabam os pactos fausticos: morte, destruição, inflação, desordem e até guerras. Alguém aí está olhando a paisagem? O que vemos é a terra devastada, a ameaça de forças tenebrosas que se avolumam. A crise econômica é sua superfície. E o que está por baixo da superfície, pronto a irromper como vômito infernal sobre toda a gente? O tempo está prenhe de violência ameaçadora. Podemos usar o porão do Otto como metáfora de tudo que está acontecendo. O Brasil é esse porão imundo, onde os piores crimes acontecem.

A arte pode ser um contraponto espiritual ao descenso mefistofélico que o Brasil vive. Nunca foi tão essencial um livro sobre isso. Esse livro está escrito por Martim Vasques da Cunha. O seu Poeira da Glória virá à luz ainda neste ano, pela Editora Record. O livro do Martim parte de uma história da literatura para retratar a alma brasileira. Ele é um brutal demolidor de mitos. Martim escreveu um livro que marcará época, mas terá sobre si o ódio da academia e dos literatos profissionais. Lançou luz sobre as trevas. Martim é como um garimpeiro que vai buscar a pepita de ouro mais escondida, no fundo do rio escuro. Nossa alma é esse rio escuro. Há algo que brilha na escuridão e é luz. Ao comparar os autores nacionais em trajetória firme Martim mostra o pior daquilo que somos. Mas mostra também o lado bom, a criação que tivemos por aqui de alta literatura. No processo, moi sem dó os medíocres que passam por fodões. O livro é um roteiro literário abrangente, desde a origem. Quem quiser compreender o Brasil e os brasileiros precisa segui-lo ao pé da letra. Tudo o que você pensava sobre os autores brasileiro vai mudar. Adoradores de Machado de Assis vão chorar. Seguidores do modernismo também. O Poeira da Glória do Martim Vasques da Cunha é um liquidificador que moi a mediocridade e separa o trigo do joio. Seus maiores heróis são Nabuco, Cecilia Meirelles, os Inconfidentes, Rosa e Otto Lara Resende. Sobrou muita chibatada para os ídolos. O essencial do Martim é que ele transcende a literatura e faz uma análise psicológica e filosófica de todos nós. Seu trabalho é memorável.

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