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O Papa Francisco concedeu perdão ao Padre Cícero Romão Batista, o que significa a reabilitação dos seus votos religiosos. Vi isso com muita alegria. Numa época em que guerrilheiros comunistas são canonizados, nada mais justo que um devoto católico, sacerdote observante das regras eclesiástica, seja reparado do ato arbitrário e preconceituoso obrado pelo então bispo da diocese do Crato. Quem é ele mesmo? Ninguém mais se lembra, mas do Padre Cícero ninguém nunca esquece.

O santo do Juazeiro precisa ser lembrado também porque sempre cultivou a fé em Nossa Senhora das Dores. No templo dedicado a ela seu corpo está enterrado. O catolicismo popular nunca se esquece da Virgem. Padre Cícero sempre foi um missionário que pregava a intercessão da Santa Mãe de Deus. Nada mais ortodoxamente católico.

O Juazeiro é ele mesmo um milagre do Padre Cícero. Em torno de sua figura carismática a cidade foi construída e sua gente honra com vigor o seu fundador. Na infância pude ouvir dos mais velhos o testemunho de seu convívio com o santo do Juazeiro. Ouvi muitas histórias de milagres e curas. A minha mãe também era dele devota. Juazeiro é um altar elevado em honra do Padre Cícero e sua gente não tolera desrespeito à sua memória.

A decisão da Igreja coloca as coisas nos devidos lugares. Padre Cícero sempre é lembrado vestido nas severas vestes negras sacerdotais. A imagem da velhice é a que ficou, é a que foi imortalizada na majestosa estátua elevada no alto do Horto, de onde pode ver toda a cidade. Padre Cícero é apenas outro nome para o Juazeiro. A cidade e seu fundador formam uma unidade.

Mas Padre Cícero não é apenas dos nascidos no Juazeiro ou dos que lá residem. Seu nome ganhou fama em todo o Nordeste e em todo Brasil. Seus seguidores são inúmeros. A cidade é tomada o ano todo por peregrinos em busca de sua fé – os famosos “romeiros” –, que não se esquecem de render homenagem a seu santo, que lhes serve também de identidade. O romeiro se orgulha de sua condição, pois se sente intimamente abençoado e em comunhão com Deus pelo simples invocar do santo do Juazeiro. Ver a multidão cantar seus hinos de louvor nas muitas missas das diversas igrejas do Juazeiro é algo que toca qualquer observador.

Não, os sertanejos não são tolos e nem crédulos. Expressam uma experiência interior que sempre foi comum em qualquer comunidade católica que tem seus santos. Quem não tem experiência equivalente não pode entrar no seu mundo de fé, de compaixão, de devoção. Não tem como se emocionar com algo que não sente. Mas se, nas agruras da vida, tiver que buscar o apoio do sobrenatural e se lembrar do Padre Cícero, é possível no ano vindouro apronte as malas e faça sua romaria no Juazeiro e cante com a multidão os benditos tão amados pelos fiéis.

O Juazeiro está em festa. Viva o Padre Cícero!

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