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Se o STF não der uma virada de mesa de última hora parece claro que Dilma Rousseff será mesmo apeada do poder. Não canso de dizer que esse desfecho me surpreendeu enormemente, porque é também o fracasso político do projeto do PT. A perda da Presidência da República se somará ao descrédito do mensalão, do petrolão e de toda a Operação Lava-Jato, que está pondo dirigentes e associados graúdos do PT na cadeia. Sem os recursos políticos e materiais da Presidência, incluindo a influência nas cortes superiores de Justiça, a derrocada do PT será rápida e fulminante.

Já havia uma tendência de esvaziamento da sigla por conta da fuga de parlamentares e prefeitos eleitos, que queriam escapar à propaganda eleitoral negativa que o PT vem sofrendo. Essa tendência agora será reforçada, de maneira que o PT caminha para as eleições vindouras com a certeza da derrota. Dificilmente elegerá alguém em algum colégio eleitoral de relevo, significando dizer que Fernando Hadad será derrotado em São Paulo. O desdobramento criminal da Lava-Jato deverá prender outros dirigentes e provavelmente o maior deles, Lula. Será então o fim de uma era.

Essa realidade criada de esvaziamento do PT pelo vai e vem da política impõe uma reflexão. Até dezembro passado eu, como toda gente, achava que não havia como retirar o PT da Presidência, sobretudo dentro da hipótese de interrupção do mandato. Acho que a força real do PT foi superestimada e a força da sociedade civil subestimada. O PT arrotava muito, mas a sua base real de poder revelou-se acanhada. Quando Eduardo Cunha e o vice-presidente Michel Temer, ambos do PMDB, passaram a hostilizar a presidente Dilma Rousseff, vi que as chances de isso acontecer eram altas. Bastou o acordo com parte da oposição para o impeachment ser costurado. O PT não teve nenhuma habilidade para barrar o trâmite do pedido no âmbito legislativo, tento tentado desesperadamente uma manobra de tapetão junto ao STF. Até agora fracassou.

A propaganda política do PT e a ação de suas falanges de rua pareciam refletir um poder real que, de fato, a sigla não possuía. Foi uma grata surpresa. De repente, os brasileiros detentores de poder real se alinharam e resolveram tirar sumariamente a presidente, poder esse cristalizado na esmagadora maioria em ambas as Casas do Congresso Nacional. Não houve resistência real do PT, exceto discursos inflamados e mendazes como aqueles que ouvimos hoje antes da votação do parecer do relator, na comissão especial.

É claro que a saída do PT do poder é um formidável fato histórico. Terá desdobramentos severos, sobretudo na política externa e na relação com países vizinhos. As vacas sagradas do PT serão abandonadas, notadamente a política Sul-Sul e aquela de submissão ao Mercosul. O Brasil precisa reativar suas ligações com as grandes potências comerciais e destravar o viés ideológicos que tantos prejuízos trouxe para a Nação.

Meu palpite é que, apesar do tumulto inicial que será criado pelas facções de rua do PT, Michel Temer poderá rapidamente dar novo rumo – e novo ânimo – à economia, que hoje colhe os frutos da desconfiança generalizada. O Brasil precisa de taxas positivas de crescimento do PIB imediatamente, para estancar a perda da receita pública. Espero que o novo presidente tenha esse tirocínio.

Que o PT já vai tarde, todos nós sabemos. Sair sem dar um pio e sem resistir é que é a novidade. Não é possível morder quando não se tem dentes. O PT se revelou uma hiena desdentada.

Quem viver verá. O fim está próximo.

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