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A QUEDA. Dilma Rousseff foi apeada do poder preliminarmente por uma maioria qualificada, tanto no Senado quanto da Câmara dos Deputados. Imediatamente assumiu o presidente Michel Temer. A era PT foi um tempo sombrio da nacionalidade e de fato ninguém esperava, até o final do ano passado, que houvesse uma saída tão rápida e pacífica do desgoverno petista. Um fato histórico singular, equivalente àquele que ocorreu em 1964. Muita gente compara com a saída do Collor, mas é um erro. Collor jamais teve um projeto de poder comunista a implantar e, a rigor, tropeçou nas próprias pernas ao se cercar dos economistas incapazes, liderados por Zélia Cardoso de Mello. Já o PT queria implantar o comunismo nos termos propostos pelo Foro de São Paulo, de quem era o líder. Tentou moldar as instituições às suas más intenções e o que conseguiu foi destruir a economia. A crise econômica é tão severa que, penso, se Dilma Rousseff não saísse por bem, certamente sairia por mal, o que seria traumático e perigoso.

TEMER. O presidente Michel Temer é um homem altamente qualificado, com experiência ampla no setor público como gestor, procurador de carreira que é, e também um parlamentar de longa data, que presidiu a Câmara de Deputados por duas vezes. Têm o que falta a Dilma Rousseff, a capacidade de negociação com os parlamentares e a consciência de que o centro de poder no Brasil está no Parlamento. Seu ministério reflete essa consciência, tendo convidado muitos congressistas para compor o governo, respeitando a representação. Isso é realismo político, que passou ao largo do toma lá, dá cá que foi a prática do PT. Realismo político é a primeira condição para construir a sustentação para a transição. Temer é um homem cordato, que sabe ouvir e tem uma vida pessoal reservada. É educado, o que não se pode dizer da turma do PT, que gosta de gritar e falar palavrões. Acredito que a combinação da sua personalidade com a sua qualificada formação acadêmica e longa vida de administrador público e parlamentar o torna o homem ideal para conduzir o Brasil nesse momento. Não espero ver pirotecnias e improvisações nas grandes decisões. Michel Temer não terá condições de enfrentar as reformas estruturais, que a meu ver só um governo em começo de mandato pode fazê-lo, mas pode, com sobriedade, reduzir as desconfianças e estancar a queda livre em que está a economia. Parece pouco, mas é o essencial para a retomada do crescimento. Seu curto governo poderá ser bem sucedido.

LULA. O ex-presidente Lula caminha para o seu ocaso e terá que se defender na Justiça de primeira instância. Possivelmente poderá ser condenado, em face dos testemunhos e das provas que já foram acumuladas contra ele. A delação premiada iniciada por Marcelo Odebrecht poderá incrimina-lo irremediavelmente. Não terá mais a simpatia do STF que sempre teve. Provavelmente terá um julgamento técnico, sofrendo as penas proporcionais aos seus crimes. Poderá terminar os seus dias como um apenado da Justiça. Enquanto ficha suja, não será protagonista da eleição de 2018.

PSDB. O PSDB adotou uma linha patriótica de atuação ao apoiar o impeachment e o governo Temer. O partido sempre teve indisposição como o PMDB, mas os tempos são outros. José Serra no Ministério das Relações Exteriores foi uma boa escolha, porque é uma liderança forte que estará à frente do desafio de refazer a diplomacia nacional, destruída pelo aparelhamento petista. Certamente o Brasil terá a imagem imediatamente recuperada junto à comunidade internacional.

ECONOMIA. O efeito imediato da posse de Michel Temer é a melhora geral das expectativas. Se as medidas inaugurais forem, como espero, sensatas e sóbrias, as condições para a retomada dos investimentos privados serão recuperadas. Sou muito otimista nesse aspecto. A destruição patrocinada pelo PT nos últimos anos, hostilizando a iniciativa privada, será rapidamente superada. Henrique Meirelles na Fazenda é a garantia de que nada de heterodoxo será adotado, o que é um alivio depois de mais de uma década de heterodoxia. Certamente a recuperação será lenta, mas será imediatamente iniciada. Os ventos mudaram de direção.

ELEIÇÕES 2016. Está claro que as eleições municipais de 2016 trarão uma derrota monumental ao PT. Perderá postos importantes como a Prefeitura de São Paulo. Terá fuga de muitos quadros eleitoralmente viáveis, o que agravará a derrota. O PT poderá ser varrido do mapa eleitoral. Se tornará um partido nanico, com baixa representação.

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