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O Brasil mudou. Dizer isso parece uma ofensa para aqueles que veem no governo Michel Temer o ressurgir vitalizado do velho esquema patrimonialista. Certo, ele ressurgiu, mas não é o mesmo. Houve uma transformação no interregno petista. As elites patrimonialistas viram nascer e crescer um projeto revolucionário que quase levou o Brasil ao desastre econômico e ao esfacelamento político. Não era possível ficar de braços cruzados esperando o apocalipse chegar, que chegaria antes de 2018. Velhos e rancorosos adversários deram-se as mãos para derrubar o PT. O PSDB e o PT, juntos, somaram uma força formidável e dominaram majoritariamente o poder de Estado.

De certa maneira essa aliança representa a retomada da unidade do Brasil, ante o “nós contra eles” do PT, claro que excluído o próprio PT e seus satélites. Esse é sem dúvida um dos principais ganhos que os brasileiros tiveram com a troca de poder. Não dá para matizar também o governo Temer como de direita ou de esquerda. Os termos, de tão usados, desgastaram-se e não expressam adequadamente o que se passa. O que temos é que há um duelo entre realismo e delírio, entre reconhecer as coisas como são ou querer projetar nelas desejos impossíveis. Nesse sentido, o governo Temer é realista, respeita as leis econômicas, os valores da nossa gente e a psicologia dos agentes do mercado. Isso, para os delirantes do PT, é ser “direita”. Por outro lado, O governo Temer manteve os programas ditos sociais, distributivistas, de forma sensata. Ele não poderia parecer aos mais pobres como algoz. Fez o certo. E certamente muitos dos que estão no governo vão continuar o eterno azáfama de ordenhar a máquina estatal. Felizmente, a roubalheira será menor do que na era PT.

No plano da política externa tivemos o mesmo padrão. José Serra feito chanceler colocou imediatamente os interesses estratégicos do Brasil à frente das alucinações ideológicas do PT. Essa postura trará imediatos resultados no plano comercial, bilateral e multilateral, com as potências comerciais abandonadas e hostilizadas pelo PT. Representa também o fim da insensata transferência de recursos nacionais para países irrelevantes que fazia o PT em nome de sua ideologia. Países como Venezuela, Cuba e Bolívia podem dar adeus a dinheiro que recebiam do Erário, a mando de Lula. Nem se diga que José Serra é de direita, pois de esquerda sempre foi, mas é um patriota que sabe muito bem defender os interesses brasileiros. De novo vemos aqui o triunfo da razão sobre a alucinação ideológica.

No plano interno teremos também mudanças profundas. Nos últimos quatorze anos os que eu chamo de delinquentes sociais tiveram terreno livre para praticar suas barbaridades, paralisando setores e vias públicas, invadindo propriedades privadas e perpetrando todo tipo de balbúrdia “social” com o apoio financeiro e político da Presidência da República, certos da impunidade. Isso agora acabou. A lei valerá para todos. Os homens escalados para conduzir a área jurídica e policial do governo federal são defensores intransigentes da ordem. A festa acabou para os desordeiros, que ou se enquadram nos limites da lei ou sofrerão as consequências.

No plano econômico a mudança não poderia ter sido mais radical. Henrique Meirelles na Fazenda é a garantia de que pirotecnias heterodoxas não serão adotadas, as ações do governo serão previsíveis e sensatas e as leis econômicas serão respeitadas. Aliás, é na economia que vemos a motivação mais forte para a construção da maioria qualificada que decretou o impeachment. Se algo não fosse feito agora teríamos o desastre completo, com a desfazimento do tecido social como estamos a ver na Venezuela.

O patrimonialismo continua, claro, mas repaginado pela maligna experiência que foi o governo no PT, como aliás continuo depois de 1964, depois da igualmente experiência maligna de revolucionários no poder. O que se chama de patrimonialista é a elite que, de uma forma ou de outra, sempre conduziu os destinos do Estado. As inovações que as esquerdas no poder quiseram fazer mostraram-se desastrosas e a elite deu um basta a esses experimentos desastrosos. Sim, o Brasil mudou para que a vida pudesse continuar normal. Os patrimonialistas e seus aliados levaram novamente a razão para conduzir o Estado, substituindo o delírio dos revolucionários petistas.

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