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Leandro Karnal fez uma resenha quase exaustiva sobre a literatura a respeito do conservadorismo (O que é ser conservador?) digo quase porque tem a falha imperdoável de não citar Russel Kirk e Olavo de Carvalho, nosso mais brilhante escritor sobre o tema. Mas nem Karnal é perfeito, senão seria Espiritual. E, piormente, reduziu os matizes do conservadorismo apenas à dimensão política e comportamental, quando o mais importante é outro, bem outro, o religioso, este a fonte de todo o conservadorismo.

 

Para falar nesse item ausente, Karnal teria que dizer que o que passa por conservadorismo moderno é o não conservadorismo, é apenas a reação do próprio movimento revolucionário que a si põe freio porque a sociedade perde as condições práticas de sobreviver como grupo social se tal não for feito. Um autor, que é a própria expressão do homem revolucionário – Thomas Hobbes –, é rotulado por Karnal de conservador, quando se sabe, estudando a obra dele, que conservadores eram seus predecessores, contra quem lutava no plano filosófico, como Aristóteles e Thomas de Aquino. A confusão é grande e Karnal, como sempre, é muito confuso mesmo tentando ser honestamente claro, porque tropeça no elementar que é a pergunta: o que é ser conservador?

 

Ao contrário do que pensa Karnal, ser conservador não é tentar aperfeiçoar o movimento revolucionário e lhe dar a mínima racionalidade para que sobreviva na subversão. O maior dos movimentos revolucionários foi a Reforma religiosa e a maioria dos autores citados por Karnal são filhos dileto de Lutero e jamais discutem esse ponto. Por escapar da questão religiosa é que Karnal foge do tema mais atual e mais sensível a respeito do assunto: o que está acontecendo na Igreja Católica, supostamente o enclave conservador por excelência, que agora, sob Francisco, acelerou sua adesão incondicional ao progressismo moderno. Discernir as coisas ficou ainda mais complicado quando o catolicismo se equipara ou se assalaria ao movimento comunista, ao globalismo e às questões insanas das supostas mudanças climáticas e a causa verde como um todo. Sem falar da simpatia enorme com o gaysismo e com a prática do aborto, só recusada formalmente até agora pelo escândalo que é. O catolicismo é hoje a vanguarda do progressismo e não se sabe como essa coisa vai parar dentro da Igreja. Karnal não tem uma palavra sobre o assunto.

 

Sim, ser conservador é seguir uma certa inclinação da alma, que, sadia – ou, ao menos, pouco doente de modernidade – desconfia de todas as mudanças, sobretudo das bruscas. É a alma que busca a sintonia com o sagrado e desespera por seguir os preceitos da palavra de Deus, raiz de todo conservadorismo e rizoma de tudo que é permanente e que não pode mudar. É o oposto da mente revolucionária que não apenas quer experimentar o novo, quer assassinar o velho. Pior, quer projetar o novo para substituir o velho (que não é velho, é perene!).

 

Ao tentar discutir o conservadorismo sem ter essa dimensão psicológica clara na mente também se escapa ao essencial da questão. O progressismo é uma espécie de doença da alma, uma forma de loucura alucinada, aquela doença portada por todo ser faustico. É o ímpeto prometeico que eleva os Icaros modernistas muito próximos do sol, para sua própria destruição. Uma velha história já contada na Grécia e que é muito atual.

 

Em síntese, nada mais parecido com um revolucionário do que aquele “conservador” nascido do movimento revolucionário. Aqui incluo praticamente a totalidade dos autores liberais que eventualmente se dizem conservadores, que contribuíram com descobertas importantes no plano econômico, mas querem, a partir dessa plataforma de verdade científica em economia, pontificar sobre todo o resto e dar lição de moral ao mundo. Erram. Filhos do movimento revolucionário que são, são portadores da moralidade falsificada do humanismo que deu as costas para Deus e participam do afã da construção do mundo perfeito, em oposição ao mundo “como ele é”, o mundo dado por Deus.

 

Nem sabemos mais direito o que é conservadorismo se não citamos, como não o faz Karnal, a defesa da monarquia como forma de governo e o direito natural como fundamento das coisas da Justiça. Nem se sabe mais o que é isso. A grande vitória dos revolucionários é ter apagado da memória das gentes o que é ser conservador. Não basta dizer que alguém tem nas Escrituras o seu norte porque, à frente do livre exame das Escrituras, poderemos ter um missionário da revolução. A revolução será sempre contra Deus, mesmo falando em seu nome, e contra a ordem natural, pois seus filhos querem construir um admirável mundo novo.

 

Karnal rima com carnaval. Vamos todos para a festa pagã ébrios de revolução e de paganismo. Eis o admirável mundo novo velho de guerra.

administrator

One Comment

  1. Eu li, Nivaldo.
    Seu amigo
    jmarafuga

    Nota: meu livro, O PADRE CRUZ – CAMINHEIRO ainda está na gráfica da Chiado Editora. Assim que tenha os livros em meu poder, mando-lhe um exemplar como testemunho da minha gratidão.

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