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Ontem eu não fui às manifestações porque não sou profissional de manifestações e tenho mais o que fazer da minha vida dominical. Ao meio dia estava na Igreja de Nossa Senhora do Brasil ouvindo a Santa Missa e depois fui almoçar e dormir, como gosto de fazer.  As esquerdas é que têm os manifestantes profissionais, movidos a prebendas, cestas básicas e pão com mortadela. E alguns incipientes movimentos de direita acham que basta bater o tambor para o brasileiro “normal”, não esquerdistas, não militante político, aquela gente que lotou as ruas, ir à praça pública. Se estrepam. As pessoas assim vão quando sentem que algo verdadeiramente importante precisa ser dito no plano coletivo e a mensagem é a multidão na rua com seus slogans, como foi na derrubada do governo do PT. Não é apatia, é forma normal de ser. As pessoas comuns deixam a política para os políticos e seus seguidores (quase escrevi sicários).

 

Reinaldo Azevedo aproveitou o relativo fracasso do movimento para destilar mais um artigo venenoso (Ver aqui) No passado eu lia o Reinaldão com prazer, hoje o faço com horror. Há quem diga que ele se move a serviço da causa do PSDB, o que bem pode ser verdade, mas acho que mesmo nesse mister ele fracassa. Está escrevendo mal e tirando conclusões absurdas. O fracasso de público de ontem não foi a pauta confusa anunciada por ele, foi o que apontei acima. E não fortaleceu as esquerdas coisa nenhuma, como sugere o guru Reinaldo. Mesmo uma manifestação fraca das forças de direita é sempre um fracasso e uma ameaça para os esquerdistas, que se julgavam com o monopólio das manifestações públicas.

 

Que a Lava Jato está sob ataque não é fantasia, bem como há tentativa de anistia o famoso Caixa 2, ao contrário do que diz Reinaldo. Todo dia os jornais que o publicam dão conta de manobras legislativas e judiciárias visando a suspensão dos efeitos da lei penal que pegou todos os políticos na rede de arrasto. A coisa não prospera porque o Brasil é uma sociedade aberta e com imprensa livre (e viva!, com internet livre) e uma violência dessas não tem como prosperar, nem à luz do dia e nem nas sombras dos palácios. É inaceitável para aquela maioria que outro dia ocupava as ruas até derrubar o PT.

 

Reinaldão conseguiu me apavorar quando escreveu sem nenhum prurido: “Não se vai, dadas impossibilidades várias, retomar a doação de empresas para 2018. Terá de ser fundo público, eventualmente misto. E isso implica, não há saída, a lista.” Que diabos tem a ver a catinga com as calças (o ditado popular é mais saboroso, mas é indecoroso)? Nada. A forma de financiamento das campanhas políticas nada tem a ver com a existência de voto em lista, que é o mesmo que declarar a ditadura dos donos dos partidos sobre o eleitorado, destruindo na base essencial da democracia. Reinaldo endossou a tese agora defendida pelo PSDB e não terá sido mera coincidência. Uma mentira dessa vale mais do que mil mentiras de todas as esquerdas juntas. Ao menos o PT, quando defendeu voto em lista, não escondeu suas más intenções e nem colocou o fato como um desidério de uma sandice política inevitável. Não satisfeito com a sua subserviência de soldado, ainda defendeu entusiasticamente “mais dinheiro para os políticos”. Pfui!

 

Acho que Reinaldão está precisando de merecidas férias. Ao menos seus leitores estão. Baixou mesmo o nível e não mais o fez subir.

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