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O Brasil vive a mais profunda crise econômica de sua história, concomitante com uma não menor crise política. Os melhores analistas nos ensinam que sair de uma é condição para sair da outra. A questão é saber qual será superada primeiro e quando. A sensação generalizada no país é que o sufoco não termina nunca e o esmagamento das unidades econômicas mais frágeis está em andamento, com desemprego galopante e elevadíssimo, o fechamento de unidades empresariais, a transferência violenta de patrimônio dos endividados para os emprestadores – o Brasil continua a ser o paraíso dos agiotas -, estes se encontram no topo da cadeia alimentar.

 

Em paralelo, os jovens que chegam ao mercado de trabalho não encontram um lugar para trabalhar e os mais velhos, quando demitidos antes de qualquer aposentadoria, estão condenados à penúria prolongada, sem data para dela sair. Os 14 milhões de desempregados oficiais – a realidade é muito pior, talvez 20 milhões – são as testemunhas desesperadas do horror econômico que se abateu sobre a nação. O nó econômico reforça o slogan do assessor de Bill Clinton: “é a economia, estúpido”, o caminho para superar as mazelas do Brasil.

 

O calendário político e o desenrolar dos últimos acontecimentos, especialmente com a condenação de Lula na primeira instância judicial, aponta para um desfecho rápido do desatar do nó da representação. Está acontecendo um terremoto no sistema político, com as revelações dos que optaram pela delação premiada. Surpreendentemente, as instituições política funcionam plenamente e os atores aceitam, ainda que de má vontade (os presos e processados não gostaram nada, é verdade) as regras do jogo, o que deu proeminência ao Poder Judiciário. O fato impediu surpreendentemente a violência política mais feroz. Há uma legitimidade na transição, com Michel Temer e além dele, de sorte que as decisões estão amplamente respaldadas na opinião pública. O PT caminha celeremente para se tornar partido nanico e, se der a lógica, Lula será excluído do processo eleitoral. Ninguém sabe qual a força política emergirá de forma hegemônica nas eleições do ano que entra, mas em outubro de 2018 a renovação será ampla e legítima, dando fim suave à crise política. O velho está morrendo e novo ainda não nasceu, para usar a expressão cara aos marxistas.

 

A superação da crise econômica só começará a ser tratada e enfrentada para valer com a posse do novo governo, com o devido respaldo nas urnas. Penso que tudo que se acreditava como sagrado na divisão do bolo econômico será colocado em jogo com a posse do novo governo, que deverá ser novo não apenas nos nomes, mas na plataforma política. Mesmo direitos adquiridos e protegidos por cláusulas pétreas da Constituições serão colocados em xeque, pois o clamor desesperado dos desempregados terá que ter uma resposta imediata do poder político, que só adquirirá definitivamente a legitimidade de mando se conseguir quebrar a estagnação econômica. Em outras palavras, teremos pelo menos dois longos anos de terror econômico, ainda que esse terror tenha trazido surpreendentemente coisas “boas”, como a baixa inflação e o desaparecimento dos problemas de balanço de pagamentos e dívida externa. A crise é integralmente um fenômeno interno da sociedade brasileira, fato inédito na história.

 

É aqui que novamente o problema político tangenciará o econômico: os eternos perdedores das políticas econômicas pretéritas não terão mais o que dar. A crise é sobretudo a crise das finanças do Estado, que sufoca vigorosamente a iniciativa privada. As teses liberais terão que ser abraçadas e postas em prática e isso implica em violenta interrupção da transferência de renda que ora acontece dos pagadores de impostos para os rentistas de todos os tipos, os recebedores de juros, salários, contratos e aposentadorias pagas pelo setor público. O que estou dizendo é que um novo pacto social, escrito ou não escrito, terá que ser feito em benefício da maioria e em prejuízo da minoria rentista. Haverá muito choro e ranger de dentes.

 

Certamente haverá nova crise política provocada pelo necessário ajuste com o novo pacto político representado pelas forças vitoriosas que emergirão em 2018. É de se torcer para que a legitimidade das urnas dê aos novos mandatários o poder e o discernimento para fazer a coisa certa. Tudo que se acreditou sagrado em política econômica será profanado, especialmente as crenças mais cretinas dos esquerdistas que dominaram a cena desde 1985 e transformaram o Brasil no paraíso dos rentistas. Será um momento difícil de ser vivido, pois estará prenhe de violência política, a mesma que até agora o Brasil tem evitado, apesar de tudo.

 

Quem viver verá.

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