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Fulminante: quando ficou pública a fala racista de William Waack, horas depois o jornalista foi destituí­do da bancada do Jornal da Globo e do ótimo programa que fazia na Globo News, o Painel. A revista Veja que chegou às bancas deu capa para o episódio, atribuindo o fato às redes sociais. Não é episódio trivial a queda desse gigante do jornalismo e a revista com propriedade coloca em questão o poder das redes sociais. Detalhe de tratar-se de fato antigo, que só agora veio a público. O mecanismo de linchamento de massa foi ligado e as redes sociais parecem servir muito bem para isso. Quero aqui analisar o fato.

 

Contraponto: Lula é o polí­tico que tem grande número de denúncias e já está apenado pela Justiça. No entanto, dados dos institutos de opinião pública informam que ele lidera com folga a intenção de votos para a Presidência da República, mesmo as redes sociais dando todo o impacto das denúncias, das delações e das decisões judiciais contra ele. É algo desconcertante, pois pela lógica Lula não devia dar nem traço nas pesquisas de opinião, supondo que estas são válidas cientificamente e feitas de boa fé.

 

Comparar o episódio de Waack com outros da mesma natureza é fácil, o difícil é comparar com Lula, pois há algo aí­ que não é a mera existência da rede social que pode explicar os fenômenos de opinião pública. É preciso investigar para saber e é isso que pretendo fazer aqui. Até episódios sexuais e de costumes depravados estão associados a Lula, mas tudo nele parece acontecer de forma invertida. Nas redes sociais muitos se referem a ele como “pinguço” e assediador de mulheres. Há também o famoso caso do Menino do MEP, de natureza homossexual, fato amplamente noticiado pela imprensa.

 

Episódios como os que envolveram José Mayer e Kevin Spacey são da mesma natureza do que o de William Waack. Ambos também tiveram penalizações fulminantes. O fenômeno talvez esteja no fato de que mexeram com coisas caras e emocionais que estão da cabeça da maioria das pessoas, sem defesa racional para os protagonistas. Ninguém se habilita a defender quem promove fala de racismo ou pratica o assédio sexual. Figuras públicas, mais do que nunca, devem ser formais nos relacionamentos, porque uma fala ou uma sequência de imagem que desagrade ao senso comum, uma vez nas redes sociais, equivalem ao mecanismo de linchamento tão bem descrito pelos psicólogos. Cria-se o típico mecanismo do bode expiatório, a coletividade aproveitando para pagar seus próprios pecados projetados no incauto descoberto. Tão antigo quanto a humanidade.

 

Não houve o mesmo mecanismo em Lula porque este tem a favor de si uma máquina poderosa de propaganda que engloba as mesmas redes sociais, seu partido tem um rebanho imenso de militantes que é avesso aos fatos e tem no ex-presidente um í­cone cuja perfeição projetada não pode ser alcançada nem pela solidez de uma sentença transitada em julgados. Chega-se ao ponto de colocar em dúvida a honra do austero Sérgio Moro em favor do cínico criminoso. Nada é mais impactante que um ladrão ou um corrupto pego em flagrante delito, frequentemente vítimas de linchamentos fí­sicos, como deveria ser o caso de Lula, mas o trabalho pretérito de propaganda parece ter efeito amortecedor. Os fatos não colam nele, num milagre de comunicação ao revés. Ademais, toda a revolução gramsciana em curso no Brasil tem levado a que a multidão passasse a achar que ser de esquerda equivale a uma espécie de perfeição político-moral e Lula é tido como a esquerda por antonomásia, portador de toda a verdade revolucionária. Bom recordar que a propaganda revolucionária é, desde a origem, mentirosa e tem por fim trocar a linguagem, inverter valores e muitas vezes reescrever o passado em favor do seu lí­der. Atos delituosos de Lula aparecem para a militância do ex-presidente como gestos revolucionários de rebeldia e insubmissão ao status quo burguês e, ao invés de serem vistos como desprezíveis, ganham a aura de heroísmo. Até o nefasto episódio do Menino do MEP soa para a gente do Lula como expressão do garanhão rompedor, e não do abusador homossexual. Por isso que o mecanismo de bode expiatório proporcionado pelas redes sociais não funcionaram com ele. Há uma multidão teclando em favor do óbvio delinquente, lutando para apagar sua baixeza moral.

 

Então podemos dizer que as redes sociais não são decisivas para a construção do linchamento fulminante se a pessoa em foco tiver esse mecanismo de propaganda em contrário ativo, tiver numerosa militância que tecla em seu favor, a despeito dos fatos, e que coloca em suspeição qualquer notí­cia que denigra o dito cujo. Essa multidão está impermeável aos fatos, não quer fazer as pazes com a verdade e vê tudo como conspiração de quem lhe faz oposição. Um bom exemplo é Aécio Neves, que caiu em descrédito com a opinião pública e não tem a defesa nas redes como tem o ex-presidente Lula. A comparação se impõe.

 

William Waack, apesar de sua fala, não parece ser racista e não deveria sofrer as sanções que sofreu por critérios racionais. Todavia, a racionalidade aqui é o que menos importa. A Rede Globo foi na onda do bode expiatório e cobrou a sua cabeça. Veremos as cenas dos próximos capí­tulos. Já Lula, digno de todo o opróbrio, corrupto contumaz provado e enriquecido com o produto das suas falcatruas, pelas quais foi condenado, não sofre o efeito negativo esperado das redes sociais. Algo a ser estudado em profundidade. Talvez aqui esteja o mecanismo pelo qual ditadores sanguinários se eternizam no poder, a exemplo do vemos na Venezuela. As redes sociais não são tão poderosas assim, ao que parece. Mais importante que elas é o que está no sentimento latente das pessoas. E na arte mentirosa dos ditadores e dos candidatos a ditadores para enganar as pessoas.

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