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“Se a treva fui, por pouco fui feliz.
Se acorrentou-me o corpo, eu o quis.

Paulo Mendes Campos

 

Um dia depois da condenação Lula continua a conclamar sua militância a não sei que gesto para resistir à decisão da Justiça. Ele erra não apenas como cidadão, sujeito às leis que é, mas como líder político. Toda gente sabe que a condenação foi justa e respeitou todos os rituais da lei, com ampla defesa e contraditório, e definitivamente ele não foi objeto nem de arbítrio e nem de injustiça. O único campo em que caberia resistir à sentença é juridicamente no tribunal que o julgou, mas esse ele não quer porque é técnico, não político. Lula foi apenado depois de um processo tecnicamente bem instruído e que coligiu provas contundentes, “além de qualquer dúvida razoável”. Eleger a rebelião verbal, a única de que pode se valer contra os magistrados, não lhe ajuda em nada. Instruir seu advogado para que diga em público que foi condenado sem provas  está além do ridículo. Lula será preso e terá em seu desfavor essa rebelião tola contra a República, a democracia e o sistema jurídico.

 

Lula fez algo assim no fim da ditadura militar e deu certo porque a ordem estava mudando e a sociedade civil o apoiou. Hoje acontece o contrário: a ordem está consolidada, a democracia  e as liberdades estão vigentes e os gemidos de apenados não chegam a nenhum ouvido relevante. Ninguém se comove com sua purgação e sua falsa pose de vítima. Hoje ainda tem uns gatos pingados militantes que atendem a seu chamado de ir à praça pública. Em breve nem isso, pois a luta política fratricida para herdar seu espólio político está em curso e vai se agudizar. A cada dia sua autoridade no partido vai minguar, a ponto de se extinguir. Ex-presidente que, na prática é um ex-líder político à espera de residir no cárcere. Seu destino está traçado.

 

Preso, o processo de redução ou extinção da sua autoridade vai se acelerar. E veja-se que apenas um processo foi julgado, a outra dezena à espera traz latente mais algumas dezenas de anos de condenação a se somar a que está posta. Em face da idade, mesmo essa única condenação já inviabiliza sua vida política e eleitoral para a eternidade. Lula é carta fora do baralho. Essa gente que ainda o acompanha o faz na esperança que ele volte ao centro de poder e distribua as benesses que antes distribuiu. Obviamente que isso não acontecerá. Tão logo essa gente perceba o logro vai se bandear para outros líderes e outras causas, digamos, mais rentáveis. Lula está politicamente morto.

 

Fazer apelo internacional pela sua prisão é inútil, pois no Brasil vige o Estado de Direito e ele foi condenado com todas as garantias de uma realidade democrática e um sistema de Justiça independente, que jamais se portou politicamente. Logo seus gritos à comunidade internacional se tornarão gemidos inaudível e impertinente. Lula devia saber que o poder de Estado é imenso e ele caiu sob o jugo desse poder na condição de prisioneiro apenado. Não tem para onde correr, não tem a quem apelar, é apenas um pálido criminoso, à espera de novas penas. Terá que cumpri-las, na forma da lei. Seu séquito vai murchar desde agora e, depois de adentrar os portões de um penitenciária, desaparecerá. Nem Dona Marisa estará aí para visita-lo. É um condenado da sorte.

 

Para minimizar suas mazelas Lula teria que refazer sua estratégia e aceitar os rigores da lei, respeitar os juízes e a Justiça e eleger um advogado que, ao invés de dar voz a invectivas contra eles, use da razão para usar instrumentos jurídicos adequados ao caso (aos casos, que seja). Sua única meta factível é reduzir a pena em regime fechado. Se mantiver a atual estratégia de desafiar mofará na cadeia inapelavelmente. Em qualquer dos casos, nunca mais poderá pleitear a Presidência da República.

 

É o triste fim de uma liderança que se perdeu na arrogância de um falso déspota. Democracia impõe responsabilidades e respeito à lei. Preferiu portar-se com um rei de antigamente, cheio de poderes e vontades e nenhum tipo de submissão com o elã de fazer sua revolução. De referência do movimento esquerdista internacional passou a ser figura incômoda, pois sua trajetória deixou de ser paradigmática de alguém bem sucedido para ser o contrário, a referência do fracasso e do aborto da proposta política revolucionária. Com ele o Foro de São Paulo será enterrado. Errou. Pagará caro por esse erro.

 

Quem viver verá.

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