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Estamos agora vivendo o período que antecede a eleição em segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Toda a imprensa já manifestou opinião de que a eleição está polarizada e há a ausência do centro político no pleito. Para a maioria dos analistas esse centro seria algo como o PSDB e a figura de Geraldo Alckmin encarnaria essa demanda, ele que foi duramente derrotado.

 

Entendo que há um grande equívoco aqui. O que vimos nas últimas décadas foi que, a cada eleição, os candidatos de esquerda, inclusive do PSDB, foram prevalecendo e, junto com a direita política, o centro desapareceu por ação política da esquerda. O que vimos foi a esquerdização galopante do país, que aconteceu inclusive nos métodos de governar e de buscar votos. Os tais programas sociais do estilo do bolsa-família não passam de forma desavergonhada de compra de votos dos mais pobres pelos partidos mais esquerdistas, método pelo qual o PT pretendeu se eternizar no poder, chegando a governar praticamente por quatro períodos consecutivos. Houve impeachment porque o Brasil ficou ingovernável.

 

O centro político se expressa não pela complacência da sociedade em aceitar, a cada período, a esquerdização crescente, mediante seus métodos espúrios e sub-reptícios. A esquerda, praticando os métodos de Gramsci e da chamada Escola de Frankfurt, ocupava e ocupa todos os espaços de comunicação e de governo e pretendeu seriamente acabar com os valores cristãos, de um lado e, de outro, destruir progressivamente o Estado nacional, integrando-o às formas disponíveis de formação do governo mundial. O centro político histórico, representado por profissionais liberais e comerciantes pequenos e médios no plano social, praticamente desapareceu, pois os tais profissionais integraram-se crescentemente ao Estado-mamute e os pequenos e médios comerciante foram devorados pelos oligopólios. Não há mais a base social para um centro como no passado. O que vimos foi a adesão das elites a esse projeto esquerdista de destruição dos valores cristãos e de submissão da nação ao governo mundial, pelo qual ela enriquece crescentemente enquanto o povo empobrece. A indústria bancária é um exemplo dessa realidade.

 

O que vimos com o fenômeno Bolsonaro foi a rebelião da população asfixiada pela destruição acelerada dos seus valores e pela busca da defesa da nação contra os interesses alienígenas. Sem esquecer de notar que o empobrecimento crescente de largas parcelas e a ameaça de outras tantas empobrecerem obrigou essa gente a abrir os olhos. Simples instinto de sobrevivência. É exatamente o fenômeno que vemos na América do Norte com Donald Trump. Esse fenômeno pode adequadamente ser chamada de contrarrevolução, que podemos assistir de casa, olhando o noticiário da televisão.  Curiosamente foi um fenômeno quase espontâneo, pois toda a classe falante letrada, jornalistas e professores universitários, tinha virado soldado do processo revolucionário insidioso. Aqui e ali uma voz discordante se levantou, mas não era ouvida. A voz decisiva partiu dos púlpitos das igrejas, na medida em que a degeneração dos valores passou a atingir fortemente as crianças e o alicerce familiar quedou destruído. A voz dos padres e pastores é que acordou o povo da letargia em que o discurso revolucionário mergulhou o povo. Bolsonaro ao lado do pastor Malafaia é a imagem mais forte que guardo do primeiro turno.

 

A pretexto de defender minorias é que se viu foi a destruição crescente do cristianismo, o despedaçamento do núcleo familiar e a impossibilidade dos adultos transmitirem os valores fundamentais às novas gerações. Em paralelo, a apologia do vitimismo fez dos bandidos agressores, que matam e roubam em larga escala, não os autores de um massacre documentado, mas as falsas vítimas do processo social, a ponto de privilégios serem crescentemente distribuídos para os que foram eventualmente aprisionados. Uma flagrante injustiça com as vítimas reais, fato que provocou rancor nas pessoas de bem.

 

O fenômeno Bolsonaro tem que ser compreendido nesse contexto. Ele deu voz a essa gente que se viu abandonada pelo governo, entregue àqueles que eram solidários com os degenerados morais e os bandidos profissionais. Nesse caldo, o crime organizado se aproveitou e se agigantou, praticando métodos de guerra civil contra os cidadãos pacíficos desarmados, pois os governantes impediram, por meios jurídicos espúrios, que as forças da ordem pudessem agir com eficácia. O exemplo mais conspícuo é o que está acontecendo no Rio de Janeiro, espelho de todo o país. Em paralelo, o cinismo tétrico de desarmar os bons cidadãos para que os malfeitores possam realizar sem risco seu mister espoliativo, sob o falso argumento de que assim a violência poderia ser reduzida.

 

Bolsonaro se posicionou contra os revolucionários culturais e contra aqueles que protegem os bandidos profissionais. Teve o imediato apoio das igrejas (a Católica, como instituição, é a exceção, mas parte expressiva do clero está com o Capitão. O catolicismo institucional hoje em dia é propriedade dos esquerdistas).  Ao fazer isso obteve a mais expressiva votação e certamente será eleito no segundo turno. Aí então começará de fato a contrarrevolução cujo germe já está em curso.

 

Veremos nesse segundo turno a agudização desse conflito entre a tradição e os revolucionários no discurso dos dois candidatos. Não me surpreenderia se Jair Bolsonaro viesse a alcançar 70% dos votos válidos pelo simples fato de prometer às pessoas comuns colocar as forças do Estado a serviço deles mesmos, na forma de preservação dos valores e da propriedade privada, vale dizer, contra os bandidos ladrões e assassinos, tornando o marco jurídico um sistema eficaz de proteção coletiva.

 

É falsa questão clamar por um centro político quando a esquerda está em vias de completar sua corrupção política, vale dizer, sua revolução.

 

Quem viver verá.

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