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Nessas vésperas da eleição histórica que se avizinha, eu decidi enfrentar uma tarefa que tenho adiado desde domingo. Na edição dominical do Estadão encontrei mais um douto artigo de Roberto Romano, aquele professor de filosofia da Unicamp que era tido como apoiador do PSDB, mas que em janeiro último subscreveu o manifesto “Eleição sem Lula é golpe” e que é tido e havido por marxista que nunca se autocriticou. Romano é a fina flor da filosofia unicampeana, um dos formadores e formatadores de opinião mais em voga, seguido pelas esquerdas acadêmicas. Creio que, como seu inspirador FHC, tenha se regozijado com a eleição de Lula para a presidência da República, tomando o fato como o esplendor da democracia de massas.

 

Mas vamos ao artigo, cujo título é Cuidado, nas urnas a foto de Platão. Aqui temos a mais fina erudição a serviço do nada. O apoiador de Lula adverte no primeiro parágrafo que “as atuais eleições é notável o uso de mentiras e violência” mas, mesmo sabendo que até agora o único graúdo violentado tenha sido o candidato Jair Bolsonaro e que Lula fez toda aquela pantomima mentirosa sobre quem de fato era o cabeça de chapa do PT, não tem uma palavra de condenação a esse partido. Muito ao contrário, todo o artigo sugere que o violento é o candidato que está à frente das intenções de voto e mentiroso também. Logo em seguida adverte contra “a crise letal do sistema democrático”, pois ele está escorraçando a esquerda do poder: Lula, o PT e seus aliados e o amado PSDB do guru FHC. Que democracia é essa que ousa colocar a direita na liderança? Como o povo ousa seguir “o palpite de pessoas sem técnica na arte política”, isto é, esses livre pensadores neófitos oriundos da internet? Só pode estar doente, o povo, como ensinava Sócrates no século IV a.C., e já de internet falava. “Como curar o coletivo insensato”?

 

O douto Romano sugere que gente como Bolsonaro se elege por causa da demagogia, se esquece de quem é a cátedra mais famosa em matéria demagógica, Lula ele mesmo e sua laia petista.

 

A sequência seguinte é uma erudita citação de Platão, para lembrar a famosa passagem na qual Sócrates identifica o estadista com o médico curador. É claro que Romano se identifica como tal, ele próprio encarna o filósofo que quer aconselhar o príncipe, mas hesita porque o novo príncipe é “de direita” e o risco dele usar não a cicuta, veneno das multidões, mas o espada para ferir o candidato a conselheiro é real.  Brasília é a Siracusa mais próxima e Romano lá gostaria de estar em Primeiro de Janeiro.

 

E seu grande erro de análise, sua inversão completa, é confundir Bolsonaro, cujo nome ele não cita nenhuma vez, com Lula, ele que é apegado ao estadista de Garanhuns. De fato, há algo de medicamentoso na candidatura de Bolsonaro que pretende, se não curar o Brasil, ao menos aliviar os seus males. O mestre-cuca (ainda usando as metáforas platônicas) é Lula e seu poste Haddad, que promete mundos e fundos para o povo “ser feliz de novo”. Tenho ouvido de Bolsonaro que haverá sangue, suor e lágrimas, embora tente mostrar propostas de proteção aos mais vulneráveis. Lula é o cozinheiro que promete guloseimas, não Bolsonaro, o restaurador dos costumes, o médico dos males mil que nos acometem. Mesmo assim o douto articulista assinou o protesto lulesco dizendo que eleição sem Lula é fraude. Fraude é artigo escrito assim e, ainda por cima, ser publicado no Estadão. Pura fake news.

 

O artigo é pedante em citações platônicas e irrelevante como análise dos tempos atuais. O Brasil tenta sobreviver a essa praga bíblica que é o PT e as esquerdas. Tenta restaurar os valores perdidos e enterrados pela revolução cultural. A força para isso vem desde dentro. Tudo parecia perdido e eis que a moral cristã triunfa ainda uma vez contra os Neros da atualidade. E também contra os candidatos a serem um Platão tardio, que veem em Brasília a nova Siracusa.

 

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