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Todos os cientistas políticos profissionais estão tentando detectar as causas da surpreendente e fulminante vitória de Jair Bolsonaro, que tem muitos pontos em comum com aquela obtida por Donald Trump, igualmente surpreendente e fulminante. Ambas as candidaturas foram vitoriosas contra a imprensa, contra a universidade, contra o politicamente correto. O que é isso? Politicamente correto foi a tentativa da esquerda de, ao longo das últimas décadas, mudar a linguagem e a forma de pensar das pessoas mediante fórmulas pré-estabelecidas que pudessem impingir seus valores revolucionados. Na verdade, uma tentativa de engenharia social para substituir os valores cristãos. Qualquer costume ou maneira de pensamento de acordo com o tradicional virou “preconceito” a ser combatido, sobretudo em assuntos sensíveis caros à esquerda, como aborto, gaysismo, feminismo e temas ligados à sexualidade. O fato é que as chamadas minorias viraram patrulhas – polícias autorizadas pelos líderes da esquerda – para vigiar e punir quem ousasse se comportar de forma tradicional. Tentaram inclusive subverter o sistema jurídico mediante decisões dos juízes do STF nomeados por eles. As escolas eram e ainda são o locus preferencial de atuação dessas patrulhas. Todo o sistema de meritocracia foi sendo substituído por regimes de cotas mal definidos que implicavam necessariamente em violência contra aqueles mais aptos.

 

Definitivamente, a causa da eleição desses inesperados outsiders não foi a economia. Não foi o desemprego, a estagnação. Foi a bem sucedida rebelião da maioria contra as minorias, que queriam quebrar o que se entendeu por ser “bom” e de acordo com a tradição. Foram os valores vilipendiados o que levantou a multidão de eleitores contra as máquinas de propaganda enganosa em que se transformaram os meios de comunicação, a universidades, as escolas, a literatura, tudo. Em comum uma única coisa apenas: os valores cristãos que os eleitores carregavam em si e que resolveram impor novamente enquanto maioria. A fábrica de fake news foi desacreditada, tanto na América como aqui, de sorte que tempo de TV na propaganda eleitoral se revelou inoperante, pois, como aqui fez Geraldo Alckmin, quis fazer os eleitores de idiotas veiculando mensagem contrárias a seus valores. Não por acaso os pastores protestantes, cuja militância política foi saliente, junto com os católicos inconformados e com as demais confissões que, bem ou mal, seguem a moral cristã, se revelaram impermeáveis aos argumentos da esquerda. A propaganda política acabou se revelando uma pregação para convertidos, sendo incapaz de atingir a grande massa do eleitorado.

 

Os poucos autores, como Olavo de Carvalho, que persistiram em pregar os valores tradicionais e denunciar a farsa das esquerdas consagraram-se, tornaram-se arautos dos novos tempos. As mídias sociais fizeram o trabalho de disseminação de suas mensagens, congregando mais do que eleitores, congregando formadores de opinião que gratuitamente militaram contra  a caríssima máquina de propaganda das esquerdas engajadas. Os imbecis coletivos ficaram desarmados contra o discurso verdadeiro dessa gente.

 

Uma consequência imediata salta aos olhos: eleições majoritárias no futuro exigirão de quem quer ser vitorioso que, por primeiro, seja um praticante e defensor dos valores tradicionais, sob pena de não ter a mínima condição de competir. O eleitorado descobriu-se traído pelos esquerdistas que fingiam ser cristãos e acabavam por implantar a agenda revolucionária, uma vez no poder. O uso sorrateiro desse expediente deixou de ser eficaz eleitoralmente.

 

O artigo do Fernando Gabeira hoje publicado no jornal O Estado de São Paulo (Sonhos e realidade) foi a melhor tentativa de explicação que li até agora, fundado no cientista político Mark Lilla. Ambos os autores, todavia, não lograram uma resposta adequada simplesmente por não sublinharem esse fundo religioso – se quiser, os valores cristãos – que sedimentou, arregimentou e solidificou os eleitores em torno dos novos líderes. Parece haver um bloqueio mental nos autores agnósticos para admitir essa realidade tão evidente. A resistência às minorias apontada por eles é o fenômeno aparente que reflete a recusa em matar os valores tradicionais. As minorias foram aparelhadas para servirem de porta-voz e de polícia informal contra a maioria cristã. A reação foi fulminante em ambos os países. Penso que o fenômeno é universal e vai se repetir em toda parte, pois a farsa esquerdista foi desmascarada. Quem colocar “Deus acima de tudo” aumenta suas chances de vencer os pleitos majoritários.

 

Bolsonaro venceu sem dinheiro, sem partido grande, sem grande mídia e contra todo o establishment. Uma surpresa memorável. Não foi a economia, nem o discurso anticorrupção, nem nada. O eleitorado nunca exigiu do candidato conhecimento técnico especializado, pois sabe que a tecnocracia cuida disso. Sua ausência nos debates foi irrelevante. Exigiu valores, coerência, honestidade de propósitos. O mal político foi identificado com a tentativa de fazer engenharia social, algo agora inadmissível. As minorias engajadas poderão eleger seus representantes em pleitos proporcionais, mas de hora em diante não terão como compor um governo nacional. Abraçar-se com elas é suicídio político e é isso que têm feito os partidos de esquerda, todos agora sucateados. Terão que se reinventar, respeitando por primeiro os valores coletivos da maioria.

 

A tolerância cúmplice dos esquerdistas com os criminosos também não ajudou à sua eleição num país com elevadas e crescentes taxas de criminalidade. A realidade exige ação e dureza com os delinquentes, tudo de acordo com a virilidade tão cara à tradição. Coitadismo como o inspirador das políticas esquerdistas de Segurança Pública foi desbaratado. Bolsonaro foi eloquente ao prometer pronto combate aos criminosos, seja armando os cidadãos de bem (rasgando o Estatuto do Desarmamento), seja dando meios jurídicos eficientes aos agentes da lei para esmagar os criminosos. Fará isso com rapidez, pronta resposta a seus eleitores. A criminalidade desabará em pouco tempo se sua política for de fato posta em prática.

 

A retórica esquerdista de usar velhos clichês para desqualifica e satanizar Jair Bolsonaro cai no vazio. Fascista e nazista são termos que nada explicam do fenômeno e não refletem a realidade de fato. De nada servem exceto de instrumento de xingamento das minorias derrotadas. A raiva, todavia, obnubila a razão.

 

Jair Bolsonaro, como nos EUA Donald Trump, deverá fazer um grande governo, um reencontro do governante com o povo governado. Fará um governo coerente com suas promessas de campanha. Em pouco tempo grandes problemas nacionais, como desemprego, violência, desequilíbrio das contas pública poderão ser combatidos pelo simples fato de ele ter legitimidade para tomar grandes decisões. A esquerda, sobretudo o PT, não irá aplaudir, mas não poderá sustar o fluxo da história. Os brasileiros poderão ter um bom governo, engajado no bem comum, depois de muito tempo.

 

Quem viver verá.

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