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José Padilha abriu um debate nacional ao divulgar sua série na Netflix O Mecanismo. Padilha, como bom isentão e companheiro de viagem da esquerda, denunciou a corrupção como um mecanismo retroalimentado, como se não tivesse causa ou se sua causa estivesse apenas na natureza humana ou na concupiscência e não na estrutura política e econômica vigente. “Nem de direita e nem de esquerda” tem um grão de verdade visto de longe; de perto, é uma mentira deslavada. O Mecanismo é real e existe porque o Brasil nas últimas décadas se permitiu os experimentos esquerdistas os mais funestos e sua característica fundamental é adotar o modus operandi fascista, qual seja, de concentrar o poder político e econômico nas mãos de quem controla o Estado. A elevação avassaladora da carga tributária é a expressão desse mecanismo e, para sobreviver, toda a gente precisa ter um “negócio” com o Estado, seja um emprego, uma aposentaria, um contrato de serviços ou fornecimento, um depósito bancário.

 

Tudo depende do Estado e é por ele intermediado. Nada existe fora do Estado. Vivemos no paraíso de Mussolini, embora a esquerda apregoe que o fascismo é de “direita”. É nada, o fascismo deu à esquerda política o mecanismo para “socializar” no limite a vida prática. A grande massa de tributos arrecadados portanto garante que a subsistência de cada um depende da boa vontade da burocracia e da “vontade política”. Só é possível enriquecer e manter-se rico quem tem acesso ao grande surplus retido nas mãos do Estado. Não por outra razão que os banqueiros brasileiros são os maiores advogados da expansão da carga tributária, pois não basta o tamanho gigante que alcançou, é preciso expandi-la continuamente para que o pagamento dos juros esteja garantido. De certa maneira, a existência de inflação é necessária, pois a mesma é uma forma de tributação regressiva que permite a obra de arte da máxima concentração de renda, garantindo que no brasil existam os muito ricos criados artificialmente por força exclusiva do manejo do Estado, da “vontade política”.

 

O mecanismo existe e é retroalimentado pela ideologia “inclusiva”. Todo o discurso de esquerda é uma promessa para que toda a gente seja incluída como sócia do Tesouro, um absurdo lógico, pois aí não existiria pagador em última instância, uma mentira econômica. O Estado é apenas o instrumento repartidor da renda, não gerador. Para alguém receber algo, alguém tem que pagar.

 

Nada fora do Estado, é essa a lógica do sistema. Em germe um Estado policial altamente repressor e não por outra razão o sistema prisional nacional bate anualmente recordes de população “hospedada” nas prisões. A novidade recente é que o andar de cima da pirâmide social também passou a ser aprisionado. Se não se é cliente do Estado por bem, será por mal, nem que seja por uma cama e três refeições diárias em uma prisão. O Estado adquiriu força esmagadora sobre toda a gente e não há como escapar de sua lógica e de suas garras. Pela mesma razão a cabeça do sistema policial e prisional, a estrutura de Justiça, virou o poder mais proeminente, arbitra tudo e avocou a si inclusive a função de legislar. A Hidra está multiplicando as suas cabeças com o fito de devorar tudo. Não se engane quem observa a Lava Jato e admira a ação do Ministério Público e dos juízes de primeira instância. Eles estão apenas cumprindo o script que se espera enquanto peças importantes do mecanismo. A Justiça no Brasil tem patrocinado uma distribuição de riqueza de forma arbitrária, exemplo disso é a Justiça do Trabalho, órgão radicalmente antiliberal. E é a própria Justiça que se propõe a ser seu antídoto, pregando que em si está os limites contra seu próprio abuso. Juízes têm mais poder que os sátrapas da Antiguidade.

 

Ao Estado fascista/esquerdista se opõe o Estado liberal, que devolve aos cidadãos o poder de dirigir suas próprias vidas, de reter consigo a riqueza que consegue gerar e de inclusive garantir sua própria segurança. Não ao acaso a luta pela posse de armas pessoais é crucial, pois ao desarmar o cidadão este fica inerme não apenas aos bandidos, mas ao próprio Estado, que finge ignorar que polícia só chega depois do acontecido, jamais antes.

 

O liberalismo é odiado pela esquerda justamente porque dispensa o Estado da intermediação da vida prática e garante que a meritocracia, e não a vontade política do governante, é que dá a melhor distribuição de renda e o que a esquerda chama de justiça social. O liberalismo dispensa a esquerda se sua intermediação na distribuição de renda, esvaindo-a do seu principal discurso demagógico.

 

Esse é o mecanismo que escravizou todos ao Estado. José Padilha ou não teve coragem ou não conseguiu enxergar o real, por isso na série atribui o mecanismo a fantasmas. Falhou como cronista dos tempos porque o câncer é de esquerda está crescendo em velocidade alucinante, a ponto de paralisar o coração das vítimas e da nação. Tem, todavia, o mérito de iniciar o debate.

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